Por Que Nos Conectamos Menos com Quem Tem Mais Poder? A empatia, a capacidade de compreender e compartilhar os sentimentos dos outros, é um pilar fundamental para a construção de relações humanas saudáveis e significativas.
No entanto, a prática da empatia nem sempre se manifesta de forma igualitária.
Frequentemente, notamos uma maior facilidade em nos conectar com aqueles que percebemos como semelhantes a nós, enquanto demonstramos mais dificuldade em exercer a empatia com indivíduos que detêm mais poder, status ou recursos.
Este artigo explora as razões por trás desse fenômeno, com um olhar voltado para a Comunicação Não Violenta (CNV), buscando caminhos para superar essa barreira e promover uma conexão mais autêntica com todos.
Por que a empatia seletiva?
Diversos fatores contribuem para a dificuldade em demonstrar empatia por aqueles que consideramos “mais poderosos”.
Primeiramente, a percepção de distância social e econômica cria uma barreira psicológica. Acreditamos, muitas vezes inconscientemente, que essas pessoas não enfrentam os mesmos desafios que nós, ou que suas dificuldades são minimizadas pela sua posição privilegiada.
Essa visão distorcida nos impede de enxergar a humanidade compartilhada, obscurecendo a compreensão de suas emoções e necessidades.
Além disso, a inveja, o ressentimento ou até mesmo o medo podem nublar nossa capacidade empática.
Projetamos nesses indivíduos características negativas, como arrogância ou insensibilidade, generalizando suas atitudes e ignorando a complexidade de suas experiências.
Essa postura julgadora nos afasta da possibilidade de uma conexão genuína.
A dinâmica de poder também exerce um papel crucial.
Em relações hierárquicas, como entre chefe e subordinado ou entre um profissional renomado e um iniciante, a assimetria de poder pode inibir a expressão de vulnerabilidade por parte da pessoa em posição de destaque.
Consequentemente, a ausência dessa vulnerabilidade aparente dificulta o exercício da empatia por parte de quem ocupa uma posição inferior.
O olhar da Comunicação Não Violenta (CNV)
A CNV nos oferece um caminho valioso para superar essas barreiras e cultivar a empatia em todas as nossas interações.
A metodologia da CNV se baseia em quatro componentes principais: observação, sentimentos, necessidades e pedidos. Ao aplicarmos esses componentes na nossa comunicação, nos tornamos mais conscientes das nossas próprias emoções e necessidades, bem como das emoções e necessidades dos outros.
No contexto da dificuldade em sentir empatia por pessoas com mais poder, a CNV nos convida a:
- Observar sem julgar: Em vez de rotular alguém como “arrogante” ou “insensível”, buscamos observar seus comportamentos específicos e o impacto que eles têm sobre nós.
- Identificar os sentimentos: Reconhecemos as emoções que surgem em nós diante daquela pessoa ou situação, como desconforto, inveja ou medo.
- Conectar com as necessidades: Procuramos entender quais necessidades nossas não estão sendo atendidas naquela interação, como necessidade de reconhecimento, respeito ou segurança.
- Expressar pedidos claros: Em vez de fazer acusações ou críticas, expressamos nossas necessidades de forma clara e respeitosa, buscando soluções que atendam às necessidades de ambas as partes.
Superando a barreira da empatia
A prática da CNV nos ajuda a reconhecer que, independentemente da posição social ou econômica, todos os seres humanos compartilham necessidades básicas, como necessidade de conexão, compreensão, respeito e autonomia.
Ao reconhecermos essa humanidade compartilhada, abrimos espaço para a empatia florescer.
Algumas estratégias práticas para cultivar a empatia por aqueles que percebemos como “mais poderosos” incluem:
- Praticar a escuta ativa: Ouvir atentamente o que a outra pessoa tem a dizer, buscando compreender sua perspectiva e seus sentimentos, sem interrupções ou julgamentos.
- Buscar pontos em comum: Procurar identificar áreas de interesse ou experiências compartilhadas, buscando construir uma conexão humana genuína.
- Cultivar a autocompaixão: Reconhecer nossas próprias vulnerabilidades e imperfeições nos torna mais abertos a reconhecer a vulnerabilidade nos outros.
- Desafiar nossos preconceitos: Questionar nossas crenças e julgamentos sobre pessoas com mais poder, buscando enxergá-las como indivíduos complexos, com suas próprias histórias e desafios.
A dificuldade em sentir empatia por aqueles que detêm mais poder, status ou recursos é um desafio real, mas não intransponível.
Ao aplicarmos os princípios da CNV e cultivarmos a autoconsciência, podemos superar as barreiras psicológicas e construir conexões mais autênticas e significativas com todas as pessoas, independentemente de sua posição social.
A empatia, quando exercida de forma abrangente, fortalece os laços humanos e contribui para a construção de um mundo mais compassivo e justo.

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